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Mercado de Franquias: como se preparar para situações complexas com soluções adaptáveis

Mercado de Franquias: como se preparar para situações complexas com soluções adaptáveis?

Modelo de operações traz desafios culturais, econômicos e regulatórios específicos, refletindo a necessidade de agir simultaneamente em domínios confusos, claros, complicados, complexos e caóticos do negócio

Em um ambiente dinâmico e competitivo, as empresas precisam ser flexíveis e estar prontas para se ajustar rapidamente às mudanças do mercado, às inovações tecnológicas e às demandas dos clientes. Quando falamos especificamente sobre o mercado de franquias, as marcas também precisam desenvolver a habilidade de entender e navegar em diferentes contextos culturais, econômicos e regulatórios, permitindo que as organizações identifiquem oportunidades, evitem riscos e tomem decisões informadas, que impulsionam seu crescimento.

Entre tantas oscilações e dificuldades é necessário estar preparado para liderar e agir diante de domínios confusos, claros, complicados, complexos e caóticos. Como? O primeiro passo é entender que uma mesma empresa enfrenta uma miríade de situações distribuídas entre diferentes domínios, refletindo a complexidade de seus ambientes operacionais.

Alexandre Magno, CEO da The Cynefin Co Brazil e especialista em auxiliar companhias em desafios de transformação, reforça que esta questão, por exemplo, é a base do framework Cynefin, desenvolvido para nos ajudar a verdadeiramente entender os contextos que estão à nossa frente e com isso agir de forma mais apropriada.

Magno, que esteve recentemente nas instalações da fábrica da The Fini Company – empresa espanhola líder no mercado de doces no Brasil –, utiliza o exemplo da fábrica da empresa como um contexto da corporação que está em um domínio claro, no qual processos altamente definidos determinam as ações dos colaboradores. No entanto, as criações químicas dos produtos, que dependem de especialistas, se enquadram no domínio complicado. Na esfera dos negócios, os desafios são predominantemente complexos e confusos devido à alta incerteza e volatilidade.

Ao perceber a complexidade dos negócios, a The Fini Company utiliza instintivamente abordagens de sondagem e experimentação no mercado ao investir, por exemplo, em ações de collab. A empresa experimentou várias estratégias e parceiros, descobrindo o que melhor funcionava e escalava. No caso da collab com a Cimed, por exemplo, obtiveram grande sucesso ao adicionar elementos de escassez e engajamento social em suas campanhas, elementos importantes para estabilizar um negócio e movê-lo para domínios com menor complexidade.

“Tive a oportunidade de conversar com o Gestor de Franquias Pedro Henrique, que também é host do podcast InFINItas Ideias, da Fini Company, e ele levantou um ponto interessante. As franquias enfrentam grandes desafios para atrair e reter talentos. No meu entender, é um erro comum no mundo corporativo tratar essas questões como claras e replicáveis. O que atrai ou retém um funcionário no Rio de Janeiro pode ser completamente diferente no interior do Amazonas”, exemplifica Magno.

A própria experiência de Magno com a  Riot Games, empresa global criadora do sucesso League of Legends,  reflete essa complexidade. “Inicialmente, todos os Product Managers eram tratados de maneira uniforme globalmente, gerando insatisfação de todos os lados em nome de uma padronização. A solução foi tornar as definições de papéis mais abstratas, permitindo contextualização e regionalização. Cada unidade pôde experimentar abordagens diferentes para atender às suas necessidades específicas”, contextualiza.

Estratégias de franquias, que antes eram quase inteiramente focadas na pura repetição, estão começando a perceber que a complexidade (variabilidade, volatilidade, incerteza, mudanças) nas pontas aumentou. Utilizando o modelo Cynefin, elas estão enxergando as várias características deste tipo de negócio, inclusive as complexas, e se reorganizando para continuar sendo um modelo bem-sucedido.



Sobre Alexandre Magno:

CEO da The Cynefin Co Brazil, especialista em auxiliar empresas que enfrentam desafios complexos e substanciais de transformação. Nos últimos anos, ocupou a posição de liderança no Escritório de Transformação do Itaú, o maior banco da América Latina.