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Serviço digital em licenciamento de veículo faz jovem paulista faturar mais de R$ 70 milhões 

Em seis anos, o DOK Despachante aumentou em mais de 10 vezes o faturamento com um serviço digital até então inédito para o setor automotivo
 
São Paulo, 08 de fevereiro de 2023 – Em 2016, Beth Pontes precisou se reinventar para sobreviver no mercado de despachantes de Sorocaba, cidade sede da empresa dela, o DOK Despachante. Com clientes cada vez menos frequentes e com as grandes corporações do setor dominando o mercado, a empresária apoiou a ideia do filho, Gregory, e viu o faturamento, desde então, crescer anualmente de forma vertiginosa.

Greg e Beth, em 2022, na sede do DOK Despachante

A solução? Migrar toda a burocracia do ambiente físico para o online, uma facilidade para condutores que, muitas vezes, sequer sabiam por onde começar a resolver pendências com os órgãos de trânsito brasileiro. 

O caminho até a realização não foi fácil para a família. Beth montou o próprio escritório depois de atuar por anos em empresas do setor. Usou o dinheiro da rescisão do antigo emprego e, com um computador e uma impressora, começou a operar por conta própria com ajuda dos filhos e de um sócio. Na época, os serviços que prestavam eram bastante limitados a lojas de revenda de automóveis, com foco maior no processo de transferência de veículo de um condutor para outro.

Além da burocracia da época, o valor que recebia como comissão ficava a cargo dos proprietários dessas lojas. Na prática, não fazia diferença se ela negociava com um dono de um carro popular ou de um modelo importado: a margem de lucro era sempre de um valor limitado. Como a oferta na cidade era grande, era comum que muitos motoristas optassem por empresas que cobrassem ainda mais barato. 

Quando o sócio resolveu desfazer a parceria em 2013, Beth se viu em uma situação delicada.

Nessa época, quase foi obrigada a fechar a empresa e retornar para escritórios onde trabalhou anteriormente.

Era ele quem trazia os clientes por meio das lojas de revenda, além de atuar também na parte jurídica do negócio.

E mais, como se não bastasse, ele ainda levou, por direito, a impressora, item essencial para a coleta de informações dos motoristas.

Ela só não imaginou que a salvação estava ao lado: o filho Gregory Packs, então com 23 anos, que entendeu que era hora de revolucionar o mercado; do contrário, ele iria voltar seus esforços para atuar na área de formação como analista de sistema, naufragando o sonho do próprio negócio da família. 

A revolução online
Greg, que costumava frequentar eventos de marketing em São Paulo, já havia entendido que sua principal atividade seria online.

Foi neste formato que conseguiu os primeiros resultados expressivos do negócio, na época, com um serviço exclusivo para o certificado ANTT, voltado somente para caminhoneiros.

Apesar do início promissor, em 2015 a procura diminui, tornando-se inviável permanecer com a oferta, o que acendeu um novo alerta. Greg pensou, então, “qual outro serviço de despachante poderia ser feito online e escalonado para várias regiões do Brasil?”.

Lembrou que o licenciamento se encaixava neste formato, pois o interessado vai ao escritório para regularizá-lo, paga à vista ou em um cartão de crédito, e tem seu problema resolvido, no máximo, no dia seguinte. 

Com a ajuda de um programador, criou um formulário para implementar o serviço virtual de licenciamento dos veículos, ainda inédito no Brasil.

Com a placa e o Renavam, era possível fazer consultas sobre todos os débitos veiculares dos condutores junto ao sistema que possuíam com o Detran, o que agilizou ainda mais o trabalho. Somou-se a isso a opção de o cliente quitar o documento em cartões de crédito ou boleto. Uma vez aprovado, ele recebia uma notificação no computador e dava andamento seu pedido. 

Com um modelo mais automatizado, Greg investiu pesado no marketing digital. A partir dos anúncios que criava, conseguia levar interessados para o site e, na sequência, enviar o link de pagamento.

Três meses depois, conseguiram, junto ao banco que realizava os pagamentos, implementar um sistema via API que simplificava o processo e acelerava ainda mais os pedidos. A demanda se mostrou muito maior do que qualquer outro serviço já ofertado pelo DOK.
 
Faturamento e número de veículos 

O serviço voltado para caminhões já havia colocado as finanças da empresa em um novo patamar.

Mas foi com o início do licenciamento online, em 2016, que a empresa encontrou o caminho do crescimento e não parou mais.

Naquele ano, o DOK registrou faturamento bruto de R$ 6 milhões, valor bastante expressivo para quem, poucos anos antes, considerou encerrar as atividades.

Em 2019, com a adesão em massa de clientes, e em 2020, ano em que muitos condutores passaram a contar com serviços virtuais por conta da pandemia, houve um outro salto: mais de R$ 36 milhões bruto.

E esse ainda não seria o maior crescimento registrado. Em 2022, o resultado superou os 70 milhões de reais em faturamento bruto, ou seja, dez vezes maior do
que em 2016. Em número de veículos regularizados, saltaram de 5,6 mil em 2016 para mais de 59 mil no ano passado. 

No final de 2022, uma conquista importante do DOK promete influenciar diretamente na experiência dos usuários e nos resultados da operação: a empresa se tornou uma subadquirente na modalidade Facilitadora de Pagamentos.

Com isso, passam a ser intermediários diretos para fornecer serviços de processamento e liquidação financeira em pagamentos via cartão de crédito. Essa notícia amplia a possibilidade de obter autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN) para poder atender o Brasil inteiro e não apenas o Estado de São Paulo. 

Outra novidade prevista é aprimorar o serviço do aplicativo para dispositivos móveis, lançado recentemente. Querem implementar um modelo que notifique o condutor conforme as datas de vencimento dos tributos se aproximem.

Mas sem pressa. Preferem que cada passo seja dado de forma segura e que promova a melhor experiência para o cliente. Os concorrentes já perceberam que o caminho é esse e replicam o modelo de sucesso em seus projetos também.

Greg não se importa, ao contrário, se orgulha do caminho que vem trilhando e ter seu modelo copiado é a prova do grande sucesso. 

Ele vê essa revolução que implementou com muito orgulho, não apenas por iniciar um projeto novo que prospera a cada ano, mas por poder dar mais qualidade de vida para a mãe, que sempre batalhou para proporcionar o melhor aos filhos.

E a história de vida pessoal dele mostra que as adversidades fazem parte da história deste jovem empreendedor desde cedo. Greg nasceu prematuro, com pouco mais de cinco meses. Para andar, foram necessários quase quatro anos.

A infância não foi fácil para ele, que, pela condição do nascimento, enfrentou situações que outras crianças não precisavam superar. “Costumo dizer que não existe filho preferido, mas existe o filho mais sofrido e acho que me encaixo nessa situação”, pontua Greg.

Pode até ser que o sofrimento tenha sido parte da vida desta família, mas, ao olhar para a história que construíram, o que fica guardado mesmo é o quanto de facilidades que proporcionaram na vida de mais de 200 mil motoristas.