4 MAIORES DESAFIOS DO MERCADO DE IOT E COMO RESOLVÊ-LOS

4 MAIORES DESAFIOS DO MERCADO DE IOT E COMO RESOLVÊ-LOS

Por mais de duas décadas, a Internet das Coisas (IoT) transformou indústrias ao permitir que empresas e consumidores monitorem, analisem e controlem dispositivos remotamente. Os casos de uso para IoT estão constantemente aumentando, e agora existem bilhões de dispositivos conectados ao redor do mundo.

Porém, embora tenha aberto portas para muitas possibilidades, a IoT também trouxe novos desafios para desenvolvedores, fabricantes e clientes que dependem de seus produtos e serviços. Ainda que alguns desses obstáculos já estivessem presentes desde o início, eles estão se tornando mais pronunciados à medida que a tecnologia se torna mais produtiva e acessível.

Adicionar conectividade a um dispositivo está mais fácil do que nunca. Porém, cada nova aplicação de IoT precisa enfrentar as adversidades já existentes, e muitos fabricantes ainda não têm consciência de como as tecnologias atuais ajudam a resolvê-las. Pensando nisso, Carlos Campos, Diretor-geral da emnify no Brasil, provedora líder de conectividade celular IoT no mundo e referência global em tecnologia e inovação para telecomunicações, listou os quatro principais desafios enfrentados pelo mercado de IoT hoje e as soluções para enfrentá-los, respectivamente.

1. Segurança

Desde o início, dispositivos IoT têm sido vulneráveis a ataques cibernéticos, e existem inúmeros exemplos deles sendo incorporados em botnets (como a infame botnet Mirai), ou sendo hackeados para mau uso e acesso a outras partes de uma rede. “Esse problema não vai simplesmente desaparecer porque, infelizmente, deriva de algumas questões inerentes aos dispositivos IoT, que frequentemente têm fonte de alimentação limitada e precisam durar anos no campo com uma única carga”, analisa Campos.

Como resultado, eles transmitem e recebem dados com pouca energia – e vale destacar que adicionar criptografia, autenticação e protocolos de segurança pode aumentar significativamente o consumo de carga das transmissões básicas, e muitos dispositivos IoT não possuem essa capacidade.

Além disso, é quase inevitável que, com o tempo, novas vulnerabilidades sejam descobertas no firmware do dispositivo à medida que tecnologias e técnicas surjam para explorá-lo. E sem atualizações, essas fragilidades podem se acumular ao longo de sua vida útil. “Adicione a isto tudo o fato de que dispositivos IoT podem depender da infraestrutura de rede dos usuários finais (como WiFi), e você tem uma tempestade perfeita! Ele se torna cada vez mais suscetível a ataques cibernéticos e pode ser usado para acessar outros aparelhos e aplicativos na rede”, explica.

Solução – Felizmente, soluções de conectividade de baixa potência continuam a implementar novas tecnologias de segurança. E esta é uma área em que a IoT celular é particularmente valiosa. Carlos explica que as redes celulares autenticam dispositivos por meio de SIM Cards, e recursos de segurança como bloqueios de IMEI garantem que apenas o dispositivo pretendido possa usar um determinado SIM Card. As redes celulares também permitem realizar atualizações remotas de firmware conforme necessário, consumindo energia mínima. 

2. Cobertura

Para transmitir e receber dados, os dispositivos IoT precisam de uma conexão de rede, pois perder o sinal significa ficar sem as capacidades deles. “Embora existam inúmeras soluções de conectividade para IoT, cada uma serve para determinado tipo de cobertura. Ou seja, a solução que você escolher pode limitar severamente o local de uso, o que torna a cobertura um desafio constante em IoT”, conta o executivo.

Por exemplo, o WiFi é uma escolha comum para conectividade IoT. No entanto, seus dispositivos só podem operar dentro de uma curta distância de um roteador, e só é possível implementar os aparelhos em locais que tenham a rede de conexão. Quando a infraestrutura não está disponível, é preciso pagar para construí-la ou equipar os dispositivos com uma solução de backup que já tenha cobertura.

Solução – A tecnologia celular é uma opção mais popular e que dá maior flexibilidade para a comunicação de dados em projetos IoT. As suas várias tecnologias de transmissão 2G, 3G e 4G oferecem ampla cobertura, permitindo que dispositivos IoT operem a algumas milhas da infraestrutura de rede. Novas opções de redes celulares vêm surgindo, como as LPWAN (Low Power Wide Area Network), que são dedicadas à transmissão de dados wireless e projetadas para oferecer suporte a comunicações de longo alcance a uma taxa de bits baixa, principalmente para aplicativos de IoT. Exemplos de tecnologias LPWAN licenciadas são CAT-M1 e Narrowband IoT (NB-IoT). Nos próximos anos, a conectividade via satélite provavelmente se tornará mais comum também.

3. Escalabilidade

Empresas de IoT frequentemente têm centenas ou milhares de dispositivos em campo, enquanto os maiores fabricantes de IoT possuem milhões deles implantados em todo o mundo. À medida que as companhias crescem, elas constroem sua arquitetura de IoT “peça por peça”, adotando diferentes soluções de conectividade para implantações em novas regiões, na maioria das vezes. Cada uma delas vem com distintas plataformas de gerenciamento, sistemas de suporte e tecnologias independentes. E se for preciso mudar fundamentalmente determinado produto para suportar uma nova solução de conectividade, será preciso ter múltiplos ”part-numbers”. Quanto maior a escala das operações, mais difícil se torna o gerenciamento de dispositivos e a logística de SIM Cards.

Campos comenta que isso é também um problema na IoT celular, onde a conectividade está disponível em todo o mundo, mas é controlada por operadoras de redes móveis (MNOs) distintas. Para se conectar a uma nova operadora, é necessário um provedor com acordos de roaming com essa operadora ou um novo SIM Card. 

Solução – Existem soluções globais de IoT que contornam esse desafio criando acordos com operadoras globalmente. Algumas delas permitem que com um único cartão SIM os dispositivos possam se conectar a mais de 500 redes, em mais de 195 países. Com isto, é possível criar serviços resilientes e com a oferta de redundância de redes, conforme a disponibilidade dos acordos e a legislação vigente no país.

4. Interoperabilidade

Um dos pontos interessantes sobre a IoT é a aparentemente infinita forma como se pode configurar um conjunto de tecnologia para se adequar às circunstâncias únicas. Mas isso também cria um desafio: nem todos os dispositivos e soluções de IoT são compatíveis entre si ou com os diferentes aplicativos de negócios. Adicionar novos hardware ou software às distintas arquiteturas pode exigir uma série de mudanças para manter a funcionalidade desejada, enquanto acomoda a nova tecnologia.

Há ainda outra maneira pela qual a interoperabilidade desafia os fabricantes de IoT. Parte da tecnologia subjacente em que as soluções de IoT se apoiam podem ser de código aberto. “Isso não é um problema em si, mas se essa tecnologia seguir um padrão universal claro, pode acabar com diferentes empresas e/ou países usando variações distintas da tecnologia de código aberto. Isso torna difícil adicionar ferramentas de um fornecedor variado ou implantar uma solução de IoT em um novo país. Certamente, não é um problema para cada aplicativo de IoT, mas algumas indústrias precisam acelerar sua adoção de padrões universais para melhorar a interoperabilidade”, observa o Diretor-geral da emnify no Brasil.

Solução – O ponto positivo é que a maioria dos componentes do conjunto de IoT são relativamente fáceis de substituir por outras tecnologias. E a tendência na indústria é tornar as soluções de IoT versáteis, fazendo com que a integração seja o mais simples possível.