Clima: ferramentas tecnológicas podem mitigar aquecimento global

Clima: ferramentas tecnológicas podem mitigar aquecimento global

Especialista da dataRain, empresa responsável por fornecer tecnologia para mapeamento da Amazônia, destaca possibilidades que contam com ferramentas digitais para coibir o avanço da crise climática

A previsão dos cientistas sobre um aumento global de 2°C na temperatura do planeta parece ter se concretizado. Nas últimas semanas, o dado foi confirmado pelo Serviço de Mudança Climática Copernicus da União Europeia. O assunto deve pautar as discussões da COP28, a conferência climática da ONU, que ocorre até o dia 12 de dezembro em Dubai. Soluções para o enfrentamento do aquecimento global estão no centro das plenárias e a tecnologia é uma das ferramentas apontadas para isso.

Wagner Andrade, CEO da dataRain, uma das principais parceiras da AWS na América Latina, reforça que a tecnologia emerge como peça fundamental nesse contexto, oferecendo mecanismos  para mitigar os efeitos do clima e construir um planeta mais sustentável. Ele destaca que soluções inovadoras nas áreas de energias renováveis, armazenamento de energia e eficiência energética são fundamentais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “Há ferramentas que possibilitam a captura e armazenamento de carbono, tecnologia vital para compensar emissões inevitáveis em algumas indústrias. Além disso, as inovações ainda podem contribuir com a educação e conscientização, por meio de plataformas digitais, capacitando as pessoas a compreenderem e adotarem práticas mais sustentáveis”, exemplificou.

Mas, para o executivo, uma das funções mais importantes está relacionada à integração de tecnologias de monitoramento e sensoriamento remoto, que, aliadas à aplicação da inteligência artificial, podem gerar ferramentas valiosas para o acompanhamento em tempo real das mudanças climáticas e para a previsão de padrões climáticos, bem como o acompanhamento do desmatamento. “A computação em nuvem, associada ao Big Data e  à Inteligência Artificial, é essencial para análises detalhadas de fatores climáticos, permitindo simulações cruciais para a mitigação das mudanças de clima”, ressaltou. 

Na Amazônia, a maior coleta de dados já realizada sobre a floresta, resultou no documento Estudo da Biomassa da Amazônia (EBA), realizado pelo Inpe, com tecnologia da dataRain. “Este caso exemplar na Amazônia destaca como a tecnologia pode ser aplicada para enfrentar desafios ambientais e promover um futuro sustentável. O uso de LiDAR Aerotransportado — tecnologia de sensoriamento remoto —, combinado com recursos avançados de computação em nuvem, permitiu o mapeamento preciso de mais de 4,5 milhões de km2  da Amazônia, fornecendo dados fundamentais para monitorar e preservar a região”, disse.

O EBA foi realizado entre 2017 e 2018. A cada vôo, os sensores acoplados ao avião puderam disparar mais de cem mil feixes de laser por segundo sobre a floresta, resultando na captação de imagens em três dimensões, com alta precisão da Amazônia e suas 800 bilhões de toneladas de biomassa, que são capazes de reter cerca de 470 bilhões de toneladas de carbono.  

Para possibilitar o processamento de todas essas informações, a dataRain proveu os serviços de computação em nuvem, que incluem armazenamento e tratamento de dados da ordem de petabytes, associados a High Performance Computing, Data Analytics e Inteligência Artificial para processar os sofisticados modelos estatísticos que permitem projeções e estimativas extremamente precisas. 

O executivo defende o monitoramento contínuo para acompanhar os níveis de desmatamento da maior floresta do mundo. “A tecnologia fornece dados para a tomada de decisão. A partir do monitoramento podemos saber a gravidade da situação e traçar estratégias, que também podem contar com o uso de ferramentas digitais, para mitigar os danos”, disse. 

No levantamento mais recente da plataforma, divulgado em fevereiro deste ano, foram registrados 208,75 km² de desmatamento. Esse número supera o acumulado mensal ao longo do mês completo nos anos de 2022 (198,67 km²), 2021 (122,8 km²), 2020 (185,73 km²). 2019 (138,08 km²), 2018 (146,32 km²), 2017 (101,23 km²) e 2016 (114,98 km²). Em comparação com 2022, o crescimento foi de 5% em um ano.

No acumulado anual, 2023 registrou 375,33 km² devastados. Apesar do recorde em fevereiro, o contabilizado é menor do que o dos anos anteriores. Em 2022 no mesmo período, por exemplo, já haviam sido detectados 629,11 km² devastados.