Data centers: a infraestrutura física por trás da nuvem no Brasil

Data centers: a infraestrutura física por trás da nuvem no Brasil

* Por Severino Sanches, CEO da Agora Distribuidora.

Com o avanço exponencial da tecnologia e a crescente digitalização de processos, a demanda por armazenamento e processamento de dados tem aumentado significativamente. No Brasil, essa realidade não é diferente, e a nuvem tornou-se uma peça fundamental nesse cenário. Porém, por trás da “nuvem”, há uma infraestrutura física necessária para sustentar todo esse universo digital: os data centers.

Com 42% dos processamentos nas empresas brasileiras ocorrendo na nuvem, de acordo com uma pesquisa da FGV, fica claro que essa tecnologia não é tão “invisível” quanto parece. Cada vez que serviços como iCloud ou Google Drive são comprados, estamos, na verdade, adquirindo uma parcela de um data center localizado em algum lugar do mundo.

Diante desse panorama, o mercado de data centers no Brasil vem crescendo de forma expressiva, segundo o Brazil Data Center Report, com um aumento de 628% entre 2013 e 2023. Além disso, somos líderes na América Latina, com 40% dos investimentos nesse setor na região. 

Grandes data centers brasileiros consomem quase a mesma quantidade de energia que todo o estado do Tocantins. Esse alto consumo energético também é reflexo do crescimento do mercado: os gastos em sistemas de data center devem registrar uma alta de 10% este ano, após um crescimento de 4% em 2023. Assim, estima-se que os investimentos alcancem a marca de US$ 3,5 bilhões por ano no país. 

Deste modo, podemos considerar o data center como o coração da nuvem, sendo essencial para a economia digital brasileira. Um estudo do IDC indica que o consumo da nuvem no Brasil gerará rendas no valor de US$ 1,5 bilhão ainda em 2024. Isso reflete a importância crescente desse setor para a economia do país.

O desafio agora é acompanhar o crescimento exponencial dos dados. A IDC prevê que, em 2024, o universo de dados no mundo ultrapassará 157 ZB, com quase 25% desse volume já na nuvem. Isso demanda um crescimento significativo da infraestrutura de data centers, que hoje consomem entre 1,5% e 2% de toda a energia no planeta.

Diante deste cenário de crescimento exponencial da demanda por armazenamento e processamento de dados, os data centers tornaram-se elementos-chave para a infraestrutura digital do Brasil. Com investimentos expressivos e um mercado em constante expansão, o país se destaca na América Latina como líder nesse setor. A nuvem, que antes parecia tão distante e intangível, agora revela sua dependência de infraestruturas físicas sólidas e eficientes. O desafio futuro será acompanhar esse ritmo de crescimento, garantindo que os data centers estejam preparados para suportar a demanda crescente por serviços na nuvem. Assim, a nuvem continuará a ser não apenas uma revolução digital, mas também uma realidade palpável, apoiada por uma infraestrutura robusta e vital para a economia digital brasileira.