Julia Roberts e os perigos de ataques cibernéticos

Julia Roberts e os perigos de ataques cibernéticos

André Cavalli – CEO do IT Forum

Uma invasão de hackers de proporções nunca antes vistas no planeta. Em questão de minutos, todos os sistemas de comunicação, orientação e eletricidade são impactados. O cenário apocalíptico é mostrado no filme “O Mundo Depois de Nós”. Estrelado por Julia Roberts, o longa tem provocado reações desesperadas. E, confesso aqui, me incluo na lista de telespectadores que chegaram a perder o sono.  Por mais caótico que possa parecer, dá para afirmar: essa é uma realidade possível.

O Brasil é o maior alvo de ataques cibernéticos na América Latina, de acordo com o Relatório de Inteligência de Ameaças DDoS do segundo semestre de 2022. O levantamento aponta que houve um crescimento de 19% nesse tipo de crime em relação ao primeiro semestre de 2021. O País, hoje, está no topo do ranking da região, com um total de 285.529 ocorrências.

Não à toa, o investimento em cibersegurança tornou-se prioridade para os departamentos de tecnologia da informação das empresas. Tendência que já foi apontada pela pesquisa “Antes da TI, a Estratégia”, de 2023. Nós conduzimos este estudo anualmente há mais de uma década e ele desempenha um papel crucial ao oferecer insights sobre a evolução do mercado de tecnologia da informação (TI).

A pesquisa deste ano reforçou o que todos nós já esperávamos: para 73% dos entrevistados, o desafio primordial enfrentado em 2023 é a segurança de dados das empresas. Posso assegurar, pelas conversas de bastidores que tenho diariamente com especialistas da área, que a tendência certamente vai se repetir em 2024, resultando ainda em um aumento significativo de novos investimentos.

Isso porque a cibersegurança tornou-se prioridade no orçamento dos departamentos de tecnologia da informação. O receio tem explicação. Segundo empresas do setor, a América Latina é a região no mundo mais vulnerável a ataques cibernéticos. O CIO, que está ali todos os dias constantemente sob ameaças, sabe disso. A pergunta não é mais “se” a empresa dele será atacada, mas “quando” e o quão preparada ela está para aquela invasão.

Por isso, as companhias brasileiras têm colocado o tema na lista de prioridades. Mas quando falamos de cibersegurança, tem uma parte fundamental, que pode ser mais decisiva do que o aumento dos investimentos: os colaboradores. Muitas das invasões ao sistema de empresas começam pelo que chamamos de phishing. O termo vem da palavra pescaria em inglês, pela semelhança da tática: lançar a isca para ver quem cai. Os hackers usam e-mails corporativos para enviar links perigosos, e anexos com malware e ransomware. Os ataques de phishing dispararam este ano. 

Temos aqui, então, o grande desafio: treinar e preparar os funcionários das empresas para entender o perigo desse tipo de atitude dentro do ambiente corporativo e os impactos de um ataque cibernético para a companhia e seus colaboradores.

Mesmo com toda a lição de casa feita, não posso garantir que não sofreríamos com as consequências de um ataque cibernético em massa, mas pelo menos estaríamos mais preparados para dar uma rápida resposta.